Abadiânia

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Por um instante, pensei ter morrido e caído naquele lugar. Parecia uma típica roça, dessas que incluem galos ao amanhecer e chão de terra. Tinham pessoas de branco rondando a cidadezinha e alguns resquícios de comércio típicos da região. Tudo artesanal: pedras, apanhadores de sonhos, roupas brancas, vendas de olhos, livros e algumas dezenas de artigos religiosos. Ali não interessava sua classe social, beleza e tampouco popularidade. Você era só mais um em busca de uma cura. Cura essa energética ou física.

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Enquanto uns depositavam a confiança plena em João de Deus, outros preferiam confiar mais em si mesmos e em sua fé. Durante estes poucos dias de viagem, me vi em uma colônia espiritual em terra. Composta por gringos e brasileiros de várias religiões, afinal de contas, todas elas levam ao mesmo Deus,o interno. Ouvia orações o tempo todo e tive a chance de entrar na cachoeira (vulgo goteira) d’agua, além de experimentar o banho de cristal daquele misterioso terreno santificado.

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Tive a oportunidade de me entregar ao vegetarianismo e viver por quatro dias com muita água fluidificada. Foi um detox total. Muito mais de dentro pra fora do que de fora pra dentro. Sei que fui auxiliada em coisas que eu nem imagino, mas também, nem faço questão de saber em quê. De alguma forma, confiei plenamente na força daquele ambiente e das histórias lindas de cura que ouvimos de lá. Alguns momentos de descrença e de não aceitação, mas acredite, até quando isso ocorreu-me pude entender que só recebíamos ali o que o nosso grau evolutivo permitia. É uma entrega sem tamanho, é abdicar-se de algumas coisas da matéria e seguir com disciplina mesmo depois de seu retorno. Algumas coisas me evoluíram. Outras coisas nem tanto, e eu não pude abrir mão de tudo aquilo que me pediram.

Abadiânia fez com que eu aprendesse a me respeitar acima de tudo. De qualquer maneira, aquele lugarzinho no meio do nada, me fez um ser humano melhor. Me fez dar mais valor pra minha vida e, sobretudo, agradecer a oportunidade que tive em conhecer aquela pedacinho do interior de Goiás.

abadiania

 

Não acho que todas as pessoas seriam capazes de valorizar aquilo, na verdade não sei nem dizer se eu dei o valor que aquele lugar merecia; mas posso afirmar que todas as pessoas que passam por lá, saem pelo menos um pouquinho diferentes de quando entraram. (Mariana Camargo e Thuany Linhares)

joãodedeus

 

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